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Partilhas.

No outro dia li um artigo online sobre o mundo de hoje, Facebook, Instagram, excesso de partilha, a banalização de tudo que fazemos. Falava também dos novos tipos de violência que surgiram com esta nova era cheia de tecnologias. É assustador. 

Havia vários lados da mesma história, o que é sempre bom num artigo de opinião mas a verdade é que neste momento sinto que se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. 

Ou seja, onde está a linha que separa a partilha do excesso? Onde estão as regras? Tornou-se uma questão demasiado importante o comportamento virtual. Sou uma pessoa totalmente a favor de que cada um deve fazer aquilo que entende. O que não é bom é envolver outras pessoas nisso. Sou a favor da partilha mas não da exposição. Não sei se isso faz algum sentido. 

O que me faz ficar apreensiva é que com esta nova geração que só conhece as redes sociais, gerou-se uma onda de julgamentos excessiva. 

E aqui é que está a questão que me intriga. Não podemos ser óbvios, temos que ser constantemente criativos, originais, pensar fora da caixa. Acredito piamente que o estímulo deve existir sempre, que sermos melhor do que já somos deve ser sempre uma meta. Mas existe uma pressão que flutua sobre todos nós e que nos leva a reacções diferentes e que nem sempre são as melhores. 

Precisamos ter mais  calma com os padrões de normalidade não acham? Não somos todos criativos, originais, não temos os mesmo estímulos, nem as mesmas oportunidades. Não podemos ser todos iguais e o pior é que mesmo se fossêmos estaria sempre alguém de fora pronto a contestar. 

Não basta termos que ser os melhores na vida real. Parece que agora até isso só vale se devidamente fotografado para o Instagram e partilhado no Facebook. 

Por isso deixem as pessoas postarem os pés na areia quando chega o Verão, um pôr do sol quando viajam ou sushi quando estão a jantar fora. Afinal de contas, as memórias são de quem posta e não de quem está a ver. Ou pelo menos assim deveria ser. 

No fundo, a única coisa que quero dizer é que julgar está fora de moda, não tem graça. Não somos todos iguais, não gostamos todos do mesmo. O bom mesmo é aceitar as diferenças, aprender com elas e desencanar. 

Começar a semana...

...inspirada por estas lindezas.




Do mundo

Nasci em Campinas, no interior de São Paulo e desde então vivi em São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa e agora Londres. 

Quando mudamos tantas vezes de lugar, começamos a sentir que não pertencemos a lugar nenhum. 

É uma sensação estranha para ser sincera. Alguns podem pensar que é super engraçado, ser cidadão do mundo e outros podem achar que é triste, não sentir que se pertence a um lugar. 

Eu digo que não é nem alegre nem triste. É só diferente. É claro que a maneira como lidamos com isso é que vai de alguma maneira determinar como nos sentimos. 

Eu acho que consegui tirar o melhor proveito dessa grande limonada açucarada que tem sido o meu caminho. 

Todos os lugares por onde passei tem um cantinho muito especial no meu coração.

Mas sempre, inevitavelmente me perguntam se sou mais brasileira ou mais portuguesa e até se gosto mais daqui agora do que dos outros lugares onde já vivi. 

E há dias que tenho dúvidas. Dias que não sei bem o que pensar. 

Porque nada é tão gostoso quanto chá, livros e um cobertor quentinho. O frio lá fora, a neve, o aconchego do lar.

E nada é tão gostoso quanto chinelos no dedo, sol, samba e Carnaval. Dias longos, um pôr do sol cinematográfico e pessoas de sempre. 

Nada é tão gostoso quanto conhecer outros lugares e falar outras línguas.

Talvez eu seja muitas ao mesmo tempo. 

Talvez eu seja mesmo do mundo. 

O que só me faz viver de saudades. 

Wonder

É sempre difícil para mim falar sobre um livro que gostei muito sem parecer que estou a exagerar. 

Acabei de ler o Wonder de RJ Palacio e ele já é um daqueles livros obrigatórios. Descobri o livro no blog da mais que querida Raquel Caldevilla  e sabia que tinha de ler. 

É um livro que logo nos primeiros capítulos me fez rir e me fez chorar. Assim como fez rir e chorar nos capítulos seguintes. 

Adoro a forma como a história é contada. Faz toda a diferença e passa exatamente a mensagem que quer passar. 

Conta a história de Augusto, um menino de 10 anos que nasceu com uma deformidade rara. 

Ele nunca foi à escola e os pais decidem que está na hora de começar. 

Augusto inicia uma jornada com a qual todos nos vamos identificar. Um caminho difícil e cheio de surpresas boas e más. 

É uma história simples, contada de uma forma deliciosa e que volto a dizer, deveria ser leitura obrigatória. 

Emocionou-me e é isso que sempre procuro num livro. Emoção. Sentimento. 

E nada é tão bom como acabar um livro e ficar com uma sensação de paz e também de quero mais. Adorava saber o que acontece com as personagens com o passar do tempo.  

Deixo-vos aqui as minhas passagens preferidas do livro. Li o livro em inglês, por isso as passagens serão em inglês. 


"I think there should be a rule that everyone in the world should get a standing ovation at least once in their lives."


"Now that I look back, I don't know why I was so stressed about it all this time. Funny how sometimes you worry a lot about something and it turns out to be nothing."


"My head is so big because it is so full of dreams."

"The best way to measure how much you've grown isn't by inches or the number of laps you can now run around the track, or even your grade point average-- though those things are important, to be sure. It's what you've done with your time, how you've chosen to spend your days, and whom you've touched this year. That, to me, is the greatest measure of success."

Janeiros

Nunca um Janeiro foi tão rápido. 

A sensação que tenho é que fechei os olhos e cheguei ao fim do mês. 

Não posso dizer que não foi produtivo. Foi rápido mas com muitas coisas resolvidas. 

Desde que cheguei em Inglaterra, este foi o mês que mais escrevi, que mais inspirada me senti, que mais ideias tive e que mais me senti em casa. 

São as rotinas que vão, calmamente, encontrando o seu lugar no dia a dia e fazendo com que tudo seja cada vez menos um esforço e cada vez mais natural. 

Este Janeiro também me trouxe uma nova mudança de trabalho. Inesperada e muito boa para mim. 

Uma das coisas que mais me dá tranquilidade nesta jornada é saber que nada é definitivo ou obrigatório. Tudo pode mudar, tudo pode ser decidido de outra forma se assim o entendermos e isso só torna a caminhada mais leve. 

Este Janeiro foi o mês que mais me organizei mentalmente e tracei alguns caminhos que quero seguir. Tracei-os no papel, para não me esquecer. 

Foi também, nos últimos 6 ou 7 meses, talvez mesmo 1 ano o mês que mais li. Como para tudo na vida, quando não há vontade pouco se alcança e a vontade de ler estava escondida, tenho chegado em força no fim do ano passado quando me cruzei com este livro e recebi este da minha amiga irmã. 

Prometo fazer as reviews aqui no blog do que ando a ler. 

Janeiro também me trouxe uma inscrição num ginásio. Não sei como isso vai se desenvolver uma vez que não tenho um histórico de relações duradoras com exercício físico. 

Posto isto, me despeço deste Janeiro frio, chuvoso mas muito produtivo e recebo de braços abertos este Fevereiro que só me faz pensar em Carnaval e que leva, sem dó nem piedade o meu coração para o outro lado do Atlântico. 

Seja bem vindo.

Searching for Sugar Man

Como este documentário passou-me ao lado? Esta é a questão que não quer calar. Ganhou o Oscar e o BAFTA em 2012.

Falo-vos do Searching for Sugar Man. O documentário sobre o cantor Sixto Rodriguez, desconhecido para a maioria e compositor de 2 álbuns incriveis.

Um homem que se tornou um mistério, uma lenda. Uma daquelas histórias que nos faz pensar e repensar algumas coisas sobre a nossa própria vida.

Não vou contar-vos mais nada para não estragar o prazer de ver este documentário.

Agora vá, vão lá tratar disso e contem-me tudo sim?



Tatuagem

Tatuagem.

Não tenho nenhuma mas adoro a ideia de eternizar alguma coisa na pele.

Mas a verdade é que como boa geminiana tenho sempre dúvidas sobre o que tatuar, onde tatuar, tamanho...

De qualquer forma, acho uma das formas de expressão mais livres e mais bonitas.

À medida que o tempo vai passando cada vez tenho mais a certeza que pequenas coisas têm muito significado. E por isso mesmo estas imagens me chamaram a atenção.

Caso um dia faça uma, será certamente uma destas.

Para ser sincera, tirando a do gato, poderia tatuar qualquer uma delas que faria sentido para mim.



Pequenas e poderosas não são? 


E vocês, o que gostariam de eternizar no corpo?