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Love

10 episódios em 3 dias. Foi assim que vi a nova série da Netflix "Love". Não esperem uma grande produção, nem atores lindos de morrer. 

É aí que começa a parte interessante desta série e que imediatamente que me agarrou. É uma série honesta, real, contemporânea, cheia de conteúdos simples e certeiros.

A primeira temporada conta de forma contínua a história de Gus e Mickey, que são completamente diferentes um do outro mas que se encontram numa bomba de gasolina e que a partir daí desenvolvem uma relação improvável mas que ao longo da temporada se mostra real e com a qual 90% das pessoas poderá se identificar num momento ou outro da vida. 

Não vos vou contar mais nada sobre a série. Vejam se é um tema que vos agrada e contem-me se gostaram. 

Penso que a intenção dos criadores da série é simples e certeiro. 

A maioria de nós não chega aos 30 com tudo descurtinado no que diz respeito às relações mas o importante é tentar. E que não faz mal procurar a pessoa certa. Não faz mal esperar. 

Podem ver o teaser aqui.

A temporada completa está disponível no Netflix. A segunda temporada está prevista para 2017. 

A banda sonora está disponível no Spotify e é tão boa quanto a série.


Sobre mudanças.

Se há coisa que ainda me surpreende nesta vida é, de vez em quando ver ou perceber que a ideia que tenho de mim mesma é completamente diferente da ideia que pessoas que não me conhecem têm de mim ou pessoas que me conhecem têm de mim. 

Nesta jornada por terras de sua majestade tenho aprendido muito mais do que imaginei. 

Não é que esteja a viver uma realidade assim tão diferente daquela que sempre vivi e também não é nada que não soubesse sobre as diferencas culturais que existem entre vários países.  

É um aprendizado sobre mim mesma, sobre as minhas capacidades, sobre as minhas forças e as minhas fraquezas. É como se com a mudança, coisas que sempre existiram em mim como pessoa simplesmente se tornaram reais. 

É difícil explicar em palavras o que quero dizer. E é difícil dar exemplos para isto. É como se aquilo que sempre achei que deveria fazer mas sempre pensei estar fora do meu alcance, afinal estava ao meu alcance e muito mais perto do que eu pensava.

E por favor, não vamos entrar no cliché que tudo é possível quando se quer, quando nos aplicamos. Há coisas que não são possíveis. Que não estão ao nosso alcance. Ou simplesmente coisas que gostamos mas para as quais não fomos talhados. Pode acontecer e também faz parte do aprendizado aceitar que nao faz mal. 

O que me deixa feliz é perceber que a mudança física tem se transformado numa mudança interna. 

Não quero também parecer um livro de auto ajuda. Nada disso. Sou a mesma pessoa, cheia e defeitos e inseguranças. Sou a mesma miúda que ainda acha que tem 25 anos e tem tempo para tudo. Ainda sou a mesma miúda que delira quando gosta de uma música e ouve o mesmo cd vezes sem conta até saber a letra de cor. Ainda sonho com viagens pelo mundo e amores perfeitos. Sou a mesma pessoa mas não sou. Meio estranho, eu sei. Mas é como se a realidade que deixei para trás (principalmente a profissional) fosse agora uma história longínqua, perdida no passado. 

Sou a mesma pessoa com novas características, novas vontades, novos sonhos. Isso foi acrescentado pela mudança de país, de vida, de meio ambiente, de cultura. 

E a principal mudança foi o medo de arriscar.Porque arriscar fez de mim uma pessoa melhor. Fez de mim a pessoa que já existia mas achava que esta mudança não estava ao meu alcance. 

Fez com que acreditasse mais na pessoa que existe aos olhos de quem me vê.





Lugares bonitos

Hoje foi dia de passear um pouco pela cidade que escolhemos viver. 








Guildford Castle

Update

Sabes quando sentes que há muita informação no ar e queres chegar a todo lado e não consegues?

Coisas simples dos dia a dia. São os BAFTA Awards, os GRAMMYS, o clipe novo da Beyoncé, a polémica com o Kanye West, o vestido da Adele, o episódio de reencontro de Friends.

Coisas fúteis que ao mesmo tempo não interessam a ninguém mas que se não sabes o que é ou do que se trata parece que não vives neste planeta?

É assim que tem sido nos últimos dias. Tudo a acontecer e eu a ver tudo passar-me ao lado. Aliás, sinto ser a única pessoa do planeta a não achar nada de mais o último single da Beyoncé. 

Não se trata daquele cliché de andar a correr o tempo todo e não ter tempo para nada. Eu tenho tempo. Não tenho os meus dias completamente preenchidos. Mas parece que simplesmente o meu corpo e cérebro não estão á altura de tanta informação. 

Não sei se será o frio excessivo que se fez sentir nos últimos dias, se é a rotina que se instala e quebra a excitação ou se simplesmente é um período mais calmo. 

Um período de menor vontade de exposição, um período onde quero ficar quieta, aconchegada, aproveitando o passar das horas, dos dias. 

Fugir um pouco da tempestade de informação com a qual somos bombardeados todos os dias. 
É como se fosse uma fase para absorver e reter tudo e depois seleccionar o que merece ser partilhado ou discutido. 

Ao mesmo tempo que detesto não estar em cima de todo e qualquer acontecimento, este afastamento mental de tudo que explode na internet e que se torna assunto por dias tem tido efeitos surpreendentemente bons. 

Por enquanto, vou aproveitar esta onda e ler o quero, ver os filmes que quero e aproveitar esta calmaria mental que tanto bem faz. 

Partilhas.

No outro dia li um artigo online sobre o mundo de hoje, Facebook, Instagram, excesso de partilha, a banalização de tudo que fazemos. Falava também dos novos tipos de violência que surgiram com esta nova era cheia de tecnologias. É assustador. 

Havia vários lados da mesma história, o que é sempre bom num artigo de opinião mas a verdade é que neste momento sinto que se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. 

Ou seja, onde está a linha que separa a partilha do excesso? Onde estão as regras? Tornou-se uma questão demasiado importante o comportamento virtual. Sou uma pessoa totalmente a favor de que cada um deve fazer aquilo que entende. O que não é bom é envolver outras pessoas nisso. Sou a favor da partilha mas não da exposição. Não sei se isso faz algum sentido. 

O que me faz ficar apreensiva é que com esta nova geração que só conhece as redes sociais, gerou-se uma onda de julgamentos excessiva. 

E aqui é que está a questão que me intriga. Não podemos ser óbvios, temos que ser constantemente criativos, originais, pensar fora da caixa. Acredito piamente que o estímulo deve existir sempre, que sermos melhor do que já somos deve ser sempre uma meta. Mas existe uma pressão que flutua sobre todos nós e que nos leva a reacções diferentes e que nem sempre são as melhores. 

Precisamos ter mais  calma com os padrões de normalidade não acham? Não somos todos criativos, originais, não temos os mesmo estímulos, nem as mesmas oportunidades. Não podemos ser todos iguais e o pior é que mesmo se fossêmos estaria sempre alguém de fora pronto a contestar. 

Não basta termos que ser os melhores na vida real. Parece que agora até isso só vale se devidamente fotografado para o Instagram e partilhado no Facebook. 

Por isso deixem as pessoas postarem os pés na areia quando chega o Verão, um pôr do sol quando viajam ou sushi quando estão a jantar fora. Afinal de contas, as memórias são de quem posta e não de quem está a ver. Ou pelo menos assim deveria ser. 

No fundo, a única coisa que quero dizer é que julgar está fora de moda, não tem graça. Não somos todos iguais, não gostamos todos do mesmo. O bom mesmo é aceitar as diferenças, aprender com elas e desencanar. 

Começar a semana...

...inspirada por estas lindezas.




Do mundo

Nasci em Campinas, no interior de São Paulo e desde então vivi em São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa e agora Londres. 

Quando mudamos tantas vezes de lugar, começamos a sentir que não pertencemos a lugar nenhum. 

É uma sensação estranha para ser sincera. Alguns podem pensar que é super engraçado, ser cidadão do mundo e outros podem achar que é triste, não sentir que se pertence a um lugar. 

Eu digo que não é nem alegre nem triste. É só diferente. É claro que a maneira como lidamos com isso é que vai de alguma maneira determinar como nos sentimos. 

Eu acho que consegui tirar o melhor proveito dessa grande limonada açucarada que tem sido o meu caminho. 

Todos os lugares por onde passei tem um cantinho muito especial no meu coração.

Mas sempre, inevitavelmente me perguntam se sou mais brasileira ou mais portuguesa e até se gosto mais daqui agora do que dos outros lugares onde já vivi. 

E há dias que tenho dúvidas. Dias que não sei bem o que pensar. 

Porque nada é tão gostoso quanto chá, livros e um cobertor quentinho. O frio lá fora, a neve, o aconchego do lar.

E nada é tão gostoso quanto chinelos no dedo, sol, samba e Carnaval. Dias longos, um pôr do sol cinematográfico e pessoas de sempre. 

Nada é tão gostoso quanto conhecer outros lugares e falar outras línguas.

Talvez eu seja muitas ao mesmo tempo. 

Talvez eu seja mesmo do mundo. 

O que só me faz viver de saudades.