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Prioridades.

Fevereiro e Março voaram. 

Literalmente foram meses que chegaram e foram embora sem que me desse conta. 

Isso não é necessariamente mau. Detesto o cliché "não tenho tempo para nada". Luto contra ele todos os dias. 

Só não temos tempo para aquilo que não nos interessa. E isso é válido para todos. O difícil é admitir para os outros que as nossas prioridades não passam por eles. O que também é válido. Não somos obrigados a nada. Uma das muitas maravilhas da maturidade. Fazer o que nos dá na real gana. 

Toda essa introdução para dizer que sim, escrever não tem sido uma prioridade. Não por não ter nada para dizer. Pelo contrário. Há tanta coisa que tenho para compartilhar que temo pecar pelo excesso. 

Os assuntos são mais que muitos. Há livros novos, passeios novos, ideias novas, projectos novos, desejos novos. 

Coisas menos boas também. Os atentados na Europa. Que mundo é esse? Jovens que se explodem em nome de quem? Do quê? 

Há séries para recomendar, tantos textos guardados, prontos para sempre partilhados. Há receitas, apps novas e úteis. Tecnologia é tudo nessa vida! 

Não é também falta de organização. Está tudo organizado, em to-do lists, no email, no telefone. 

Mas há tanta coisa lá fora que não consigo deixar para trás. Se há sol o meu corpo pede rua. Pede pessoas, esplanadas, novos sabores. 

Se há chuva, o meu corpo pede aconchego. 

A minha mente pede informação, pede consumo de conteúdo. 

É querer tudo ao mesmo tempo. É gerir o tempo e fazer com que tudo se encaixe. 

É viver. 

O Rio de Janeiro continua lindo.

Há 1 ano atrás estava no avião com destino ao Rio de Janeiro. Uma viagem não planeada e feita pelo pior motivo possível.

Há mais de 15 anos que não ia ao Brasil. Estava ansiosa, triste e sem saber o que esperar. Era um misto de emoções que passado 1 ano ainda consigo me lembrar.

O vôo estava atrasado mais de 4 horas e para ser sincera, aquele tempo no aeroporto me fez relaxar.

A viagem foi mais tranquila do que eu esperava. Eu, que detesto voar, que me sinto ansiosa com tudo que diz respeito a Não estar com os pés bem assentes na terra, fiquei agradavelmente surpreendida com a tranquilidade da viagem.

Chegamos ao Rio por Volta das duas da manhã. Outra surpresa com a qual não contavamos. Muito tarde, transportes publicos estavam claramente fora de questao. Táxi foi a nossa opção. Um senhor simpático e conversador, com família na Ilha da Madeira. O inicio da aventura apresentava-se para já com bons indícios. O medo da viagem foi desvanecendo até chegarmos ao destino.

Aquilo que seria uma estadia de 30 Dias transformou-se em 60 Dias e mais tarde em 90 Dias. Burocracia é a única palavra que tenho para justificar o prolongar da nossa estadia.

Mas no fundo, eu estava feliz. O Rio de Janeiro é do balacobado. São tantas cidades numa só. Todas as viagens são experiências diferentes. Todas as pessoas são uma história a parte.

Nunca me falem sobre a violência ou a falta de educação. Nunca saberei responder sobre estas questões. Durante a minha passagem pela cidade maravilhosa só me cruzei com pessoas simpaticas, alegres, felizes.

Vim de lá de coração cheio e com a certeza que os amigos que já tinha e os amigos que fiz estarão lá para me receber novamente.

Ainda que o motivo que me levou até lá tenha sido o pior possível, não deixou de ser um reencontro com pessoas que me são muito queridas e o reencontrar de uma identidade que também é minha e por muitos anos que viva fora do Brasil, sempre será minha.

A beleza natural da cidade fez com que me sentisse pequena diante dos morros que cercam toda a cidade.

O calor é avassalador e houve momentos que pensei que não iria aguentar. Dormir é uma aventura estranha quando tentamos não estar em contacto com nada que nos aqueça.

A comida é maravilhosa. Eu viveria de água de coco, pastel de queijo, pão doce, cuscus de coco e churrasco a minha vida inteira.

A Praia de Copacabana é mesmo um cartão postal e Ipanema ganhou o meu coração. A Urca é um presente da natureza.

Por tudo isso e muito mais...Obrigada Rio, a gente se vê por aí.

Ida rápida a Londres

Na quinta feira passada tive que tratar de alguns papéis no Consulado do Brasil e de Portugal. Tirei o dia para tratar de tudo e para minha surpresa perto das duas da tarde já tinha tudo tratado. Ir a Londres e não tentar conhecer um lugar novo é um crime.

Por isso lá fomos nós explorar um lugar novo.

Camden Town é um lugar divertido. Há de tudo um pouco. Pessoas e lojas diferentes. Uma vibe divertida, menos séria. Quem passa por lá pode beber uns copos, comer qualquer coisas, comprar lembranças ou só apreciar o movimento.

E foi exatamente isso que fizemos. Principalmente comer e apreciar o movimento. Antes disso ainda andamos pela Oxford e Regent Street, que são absolutamente deslumbrantes.

Aqui ficam algumas fotos que tirei com o telemóvel.


Fiquei encantada com as imagens da Amy Winehouse espalhadas pelos muros de Camden. 


Camden é colorido. É como passear pelo meio de uma festa.


Amei estes bules na T2, uma loja de chás que tenho que voltar!


Ainda consegui dar um saltinho a algumas lojas que queria como a HM&Home, Lush e Urban Outfitters e não me arrependi nadinha! 

Se querem seguir-me em tempo real, podem acompanhar tudo aqui!

Love

10 episódios em 3 dias. Foi assim que vi a nova série da Netflix "Love". Não esperem uma grande produção, nem atores lindos de morrer. 

É aí que começa a parte interessante desta série e que imediatamente que me agarrou. É uma série honesta, real, contemporânea, cheia de conteúdos simples e certeiros.

A primeira temporada conta de forma contínua a história de Gus e Mickey, que são completamente diferentes um do outro mas que se encontram numa bomba de gasolina e que a partir daí desenvolvem uma relação improvável mas que ao longo da temporada se mostra real e com a qual 90% das pessoas poderá se identificar num momento ou outro da vida. 

Não vos vou contar mais nada sobre a série. Vejam se é um tema que vos agrada e contem-me se gostaram. 

Penso que a intenção dos criadores da série é simples e certeiro. 

A maioria de nós não chega aos 30 com tudo descurtinado no que diz respeito às relações mas o importante é tentar. E que não faz mal procurar a pessoa certa. Não faz mal esperar. 

Podem ver o teaser aqui.

A temporada completa está disponível no Netflix. A segunda temporada está prevista para 2017. 

A banda sonora está disponível no Spotify e é tão boa quanto a série.


Sobre mudanças.

Se há coisa que ainda me surpreende nesta vida é, de vez em quando ver ou perceber que a ideia que tenho de mim mesma é completamente diferente da ideia que pessoas que não me conhecem têm de mim ou pessoas que me conhecem têm de mim. 

Nesta jornada por terras de sua majestade tenho aprendido muito mais do que imaginei. 

Não é que esteja a viver uma realidade assim tão diferente daquela que sempre vivi e também não é nada que não soubesse sobre as diferencas culturais que existem entre vários países.  

É um aprendizado sobre mim mesma, sobre as minhas capacidades, sobre as minhas forças e as minhas fraquezas. É como se com a mudança, coisas que sempre existiram em mim como pessoa simplesmente se tornaram reais. 

É difícil explicar em palavras o que quero dizer. E é difícil dar exemplos para isto. É como se aquilo que sempre achei que deveria fazer mas sempre pensei estar fora do meu alcance, afinal estava ao meu alcance e muito mais perto do que eu pensava.

E por favor, não vamos entrar no cliché que tudo é possível quando se quer, quando nos aplicamos. Há coisas que não são possíveis. Que não estão ao nosso alcance. Ou simplesmente coisas que gostamos mas para as quais não fomos talhados. Pode acontecer e também faz parte do aprendizado aceitar que nao faz mal. 

O que me deixa feliz é perceber que a mudança física tem se transformado numa mudança interna. 

Não quero também parecer um livro de auto ajuda. Nada disso. Sou a mesma pessoa, cheia e defeitos e inseguranças. Sou a mesma miúda que ainda acha que tem 25 anos e tem tempo para tudo. Ainda sou a mesma miúda que delira quando gosta de uma música e ouve o mesmo cd vezes sem conta até saber a letra de cor. Ainda sonho com viagens pelo mundo e amores perfeitos. Sou a mesma pessoa mas não sou. Meio estranho, eu sei. Mas é como se a realidade que deixei para trás (principalmente a profissional) fosse agora uma história longínqua, perdida no passado. 

Sou a mesma pessoa com novas características, novas vontades, novos sonhos. Isso foi acrescentado pela mudança de país, de vida, de meio ambiente, de cultura. 

E a principal mudança foi o medo de arriscar.Porque arriscar fez de mim uma pessoa melhor. Fez de mim a pessoa que já existia mas achava que esta mudança não estava ao meu alcance. 

Fez com que acreditasse mais na pessoa que existe aos olhos de quem me vê.





Lugares bonitos

Hoje foi dia de passear um pouco pela cidade que escolhemos viver. 








Guildford Castle

Update

Sabes quando sentes que há muita informação no ar e queres chegar a todo lado e não consegues?

Coisas simples dos dia a dia. São os BAFTA Awards, os GRAMMYS, o clipe novo da Beyoncé, a polémica com o Kanye West, o vestido da Adele, o episódio de reencontro de Friends.

Coisas fúteis que ao mesmo tempo não interessam a ninguém mas que se não sabes o que é ou do que se trata parece que não vives neste planeta?

É assim que tem sido nos últimos dias. Tudo a acontecer e eu a ver tudo passar-me ao lado. Aliás, sinto ser a única pessoa do planeta a não achar nada de mais o último single da Beyoncé. 

Não se trata daquele cliché de andar a correr o tempo todo e não ter tempo para nada. Eu tenho tempo. Não tenho os meus dias completamente preenchidos. Mas parece que simplesmente o meu corpo e cérebro não estão á altura de tanta informação. 

Não sei se será o frio excessivo que se fez sentir nos últimos dias, se é a rotina que se instala e quebra a excitação ou se simplesmente é um período mais calmo. 

Um período de menor vontade de exposição, um período onde quero ficar quieta, aconchegada, aproveitando o passar das horas, dos dias. 

Fugir um pouco da tempestade de informação com a qual somos bombardeados todos os dias. 
É como se fosse uma fase para absorver e reter tudo e depois seleccionar o que merece ser partilhado ou discutido. 

Ao mesmo tempo que detesto não estar em cima de todo e qualquer acontecimento, este afastamento mental de tudo que explode na internet e que se torna assunto por dias tem tido efeitos surpreendentemente bons. 

Por enquanto, vou aproveitar esta onda e ler o quero, ver os filmes que quero e aproveitar esta calmaria mental que tanto bem faz.